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Cazuza tinha razão: “O tempo não para”

Por: Helck Souza

Essa semana assisti ao filme “O retrato de Dorian Gray”, baseado no único romance de Oscar Wilde. O filme conta a história de Dorian, um garoto que é retratado por um artista que se encanta com a beleza do rapaz. Dorian, ingênuo, se deixa seduzir pela ideia de que a beleza e a satisfação física são as únicas coisas que valem a pena seguir na vida. E assim, para manter sua beleza, vende sua alma, garantindo que o retrato pintado envelheça em seu lugar. Logo depois, zapeando na tevê, sintonizo o canal Viva que, naquele momento, passava o programa da Ana Maria Braga e percebo o quanto ela tenta esconder, em vão, o peso da idade em seu corpo.

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Pronto, já fiquei remoendo tudo isso. Talvez pelo fato de que falta pouco para apagar as quarenta e uma velinhas; talvez por que livros e filmes me levam naturalmente a pensamentos assim ou, ainda, talvez porque eu goste de ficar ruminando, remoendo mesmo.  Só sei que esse foi o gatilho que deu inicio à reflexão do quanto damos importância a aparência, a beleza exterior já que, desde sempre, ouvimos falar da Fonte da Juventude, do Santo Graal, em prol da vaidade e do poder. Negamos o ciclo natural da vida: “nascer, crescer, reproduzir (item opcional), envelhecer e morrer”. Cazuza realmente tinha razão, “o tempo não para” e não paramos no tempo.

Essa tentativa humana de burlar o tempo, com o conceito de que só o jovem pode ser feliz é tão profunda quanto um pires. Quando jovens, podemos ter mais disposição física sim mas, juventude não é sinônimo de felicidade. Longe de mim, querer dizer que vaidade é algo negativo, quando em excesso, pode deixar de ser saudável e passa a ser um problema. E quando saber que ela se tornou um problema? Quando negamos as marcas do tempo em nosso corpo e nos tornamos uma caricatura de nós mesmos.

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O mercado de fórmulas milagrosas, das intervenções estéticas e cirúrgicas, dos complexos vitamínicos, está em alta e fatura bilhões anuais. Mas de que adianta arrumar a parte externa quando é a interna que precisa de ajuda? A não aceitação de seu corpo, da sua realidade, seja ela qual for, é sim, um grande problema. Claro, podemos sempre melhorar ou realçar o que temos de melhor; podemos nos beneficiar de cosméticos e de todas essas intervenções, mas estou falando de excessos. Como é o caso da história do filme, da Ana Maria, da Gretchen e de tantos outros casos tão extremos que vemos por aí. Porque, desculpem-me, eu não encaro isso que elas estão fazendo com o próprio corpo como algo natural. Sei que a definição de feio e bonito depende de cada um, mas temos que levar em conta os limites da beleza e da vaidade, a despeito de modismos e circunstâncias. Entendo que elas viraram reféns de algo que foi transformado com o tempo, viraram mulheres maduras e não se aceitaram como tal. Querer resgatar a aparência que ficou presa no passado é não viver o presente de forma saudável.

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Cada um é dono do seu nariz e faz o que bem entende com o próprio corpo, mas é visível o sofrimento das pessoas que não reconhecerem seu envelhecimento. A vida seria muito mais simples se aceitassemos a realidade.

Afinal, todos queremos viver por muitos e muitos anos mas, não querer envelhecer é, de certa forma, negar a própria existência.

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Helck Souza

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E o que temos para este ano?

Por: Maria José Klein

Para este ano, 40 anos.

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Sim, estou prestes a completar 40 anos, e daí?

Todo início de uma nova década parece que assusta as pessoas, de uma forma geral. Uns se perguntam o que fizeram de interessante até aqui, outros se questionam em relação ao que deixaram de fazer. Isso leva à frustração, tristeza, muitas vezes desespero… Cuidado, isso leva à depressão!

Eu confesso que gosto de como estou, gosto do que vejo em mim, gosto da pessoa na qual estou me tornando, com exceção do peso que foi ficando, mas essa é uma história pra outro texto.

Gosto do meu modo de pensar, do meu jeito de agir… O tempo traz sensatez e ponderação no que falamos e fazemos, no entanto ainda tenho uns rompantes de adolescência que me incomodam, porque geram erros que poderiam ser evitados. Mas isso também pode ser vantajoso quando dá leveza e inocência, tornando as coisas mais gostosas.

Ainda não sei lidar direito com algumas divergências do mundo adolescente do meu filho, como os questionamentos quanto aos horários a seguir, quanto ao tempo que ele deve dedicar aos estudos em detrimento ao que ele quer dedicar aos jogos, que ele tanto gosta, mas tenho a convicção de que o educo corretamente, ele é uma pessoa muito boa e com um coração muito melhor que o meu. Isso me mostra que nosso trabalho, meu e do meu marido, para com ele, está indo muito bem.

Com o tempo, tenho aprendido a gostar mais de estudar, de me exercitar, de ler, de ver filmes e séries de tevê. Ou seja, não mudou muita coisa durante esses anos que se passaram, apenas tudo ficou melhor, mais acentuado, mais curado, mais saboroso, mais cheiroso, como um bom queijo e um bom vinho.

Prefiro encarar a maturidade com tranquilidade, sem os exageros dos questionamentos sobre como poderia ou deveria ser, isso gera ansiedade e depressão, e eu me recuso a me deixar levar por algo que me enfraqueça a mente ou o coração, quero que minha alma seja leve.

Portanto, decidi que não vou fazer desta, uma idade diferente ou um marco na minha vida. Continuo com meus objetivos, em busca de alcançar cada um deles, e isso é independente da idade que tenho, ou terei. E como dizia Cora Coralina, “Se a gente cresce com os golpes duros da vida, também pode crescer com os toques suaves na alma”.

         Que venham os próximos 40!

Que venham os próximos 40!

Essa sou eu, com 39 ou 40, continuo a mesma, sempre querendo ser melhor, na cabeça, no coração, na alma.

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40X20 – os 20 anos que nos separam dos nossos 20 anos!

passado_presentePor: Juliana Bettini  

 Há muito tempo, um dos meu tios me mostrou um livro chamado “Ah, se eu soubesse…” de Richard Edler. Esse livro traz reflexões de homens de negócios falando o que fariam aos 20 anos, se soubessem o que sabem hoje.

Essa ideia de querer ter a juventude aliada à maturidade é quase uma utopia! Mesmo sabendo disso, vejo que estamos conseguindo diminuir a agressividade do tempo. Basta nos compararmos às mulheres de quarenta dos anos 50/60. Nossas possibilidades são bem maiores que de nossas avós.

Apesar de todo esse “progresso” e os avanços conquistados, os 20 anos que nos separam dos nossos 20 anos, ainda pesam!

Por isso, quando tivemos a ideia de começar um blog voltado para as mulheres de 40, esse foi o primeiro tema que me veio em mente: “O que eu diria a mim mesma se pudesse me encontrar com 20 anos de idade?”

Também resolvi chamar “azamigas” para contarem o que diriam. Reuni uma turma muita bacana com mães, donas de casa, empregadas, empresárias, profissionais liberais, solteiras, casadas, noivas, divorciadas… desencanadas, neuróticas… e acima de tudo, mulheres bem reais!

Nesse apanhado de “autos conselhos”, ri, me emocionei e me identifiquei com muitos deles. Por isso, sem mais delongas… compartilho com vocês aqueles que mais me chamaram atenção:

A Fabiana dos 43 diria à Fabiana dos 20 para fazer tudo igual, igualzinho. Inclusive, a chance dada para uns malas sem alça. Ter uns sem noção na vida (se você souber tirar proveito da experiência, claro) faz amadurecer e valorizar o essencial. Acho que fui bem feliz nas minhas escolhas daquela época: profissão, amigos, no tanto que curti e até nos riscos que corri. Talvez alertasse a Fabiana dos 20 que a esquerda iria virar uma utopia. Mas tudo foi necessário, absolutamente todas as experiências boas e ruins foram imprescindíveis para ser quem eu sou e estar com quem estou aos 43!” – Fabiana Henrique, 43 anos, jornalista, produtora de conteúdo e dona do gracioso blog de decoração Casa de La Gracia

Diria, nossa, você melhorou muito depois de 20 anos!“, Tatiana

Diria que 20 anos passam rápido…e que a gente melhora a cada ano, e aos 40 é a fase da maturação total, para tudo! Já sabemos o que queremos… o que é possível querer. E que a paciência para coisas pequenas também se esgota…” Rosana.

Não tenha medo de demonstrar seus sentimentos” Silvana

Diria: dê ouvidos aos teus talentos, creia neles. Ame-se pelo que és… és “perfeita” porque és única. Aproveite cada segundo como se fosse o último, pois independentemente dos problemas, a vida é maravilhosa. Viva com intensidade os pequenos momentos compartilhados com amigos e parentes… é na simplicidade destes momentos onde reside a verdadeira felicidade… ela, a felicidade, está ali dentro e não fora“. Melissa

Tenha um filho por produção independente, que é o bem mais precioso que uma mulher possa vir a ter. É uma benção. Mas POR FAVOR, não case!” – Cristina

NÃO SE CASE“! Priscila

Diria que o sexo libera endorfina e que, portanto, cura dor de cabeça. Aproveite bastante”! Carla

Eu diria: vá viver! A vida e boa demais… Não se deixe levar pelas emoções e nem pelos outros.” Andrea

Não fique esperando um bom momento para fazer algo… Ele talvez simplesmente não chegue ou não exista. O momento é agora” Angela

Não queira fazer tudo certo, deixe-se errar e curta mais a vida, livre-se de qualquer coisa que te prenda de alguma forma”.  Grasiela

Independente do que tenha acontecido no seu dia, antes de dormir, agradeça e beije quem você ama e, se possível, tome uma taça de um bom vinho. E, nunca, jamais, diga a uma mulher  com mais de 40 que ela está bem para a idade que tem!” . Isabel

Aceite as mudanças, elas não acontecem por acaso. São apenas novas oportunidades de conhecer novas pessoas, novos desafios. Respeite os ciclos quando se fecham e se abra para o que se aproxima. Resumindo: nade a  favor da onda, solte os ombros e siga...” Laura

“Menina, você não deixe de ser CDF. Sei que algumas vezes é mais empenho do que inteligência, mas isso lhe renderá bons frutos.Você levará toda a sua vida em forma de esforço, disciplina e responsabilidade. Mas não seja tão rígida! Pegue menos pesado com você mesma e divirta-se mais. Arrisque-se! Errou? E daí? Nos próximos 20 anos você vai acertar. Paquere! Namore! Fique!  Se você errar, ria! Tire sarro de você que é o único modo de lidar com alquilo que pode te magoar. Seja leve, releve! Antônia

Estude! Se não quer algo como uma faculdade tudo bem, mas dedique-se a fazer algo! Aprimore-se no que irá fazer. Aproveite as oportunidades sem medo! Aproveite também a experiência dos mais velhos, infelizmente não são eternos. Não se importe com o que vão dizer. Porque fazendo certo ou errado sempre terá um falador por perto! Terás um círculo de amizades enorme, mas aqueles amigos com A maiúsculo serão poucos e nem sempre estarão por perto, mas com certeza estarão torcendo por você incondicionalmente. Filhos? Vais viver por eles, mas nunca se esqueça: você os cria pro mundo! E vai se orgulhar do trabalho que fez! Amor e sexo? Isso também será complicado. Mas garanto que ficarão cada vez melhor! Problemas aparecerão mas respire fundo, recolha-se um pouquinho e decida o que seu coração mandar. Por mais que não der muito certo, seu coração estará em paz. E se prepare, lá vem chumbo grosso. Mas respire fundo, erga a cabeça, sorriso no rosto e bola pra frente“. Carolina.

Calma, menina! Roma não foi construída num dia“. Regiane, 

Ouça mais a razão. Você não está sozinha. Você é amada. O mundo não vai acabar amanhã“. Lisiany

Libere-se mais! Dê mais! Viva mais“! Patrícia.

Participa logo de uma luta de Karatê, pára de ficar com medo, o que adianta se preparar pra faixa marrom e não lutar? Tu és melhor que isso!” Maria José Klein

Eu, Juliana Bettini, aos 40, segurando uma foto de quando tinha 20 anos.

Eu, Juliana, aos 40 e aos 20 anos.

Estude sempre, não pare, não dê desculpas para parar. Não tenha medo de se colocar nas situações, deixe claro o que você pensa, sem ofender e, principalmente, sem engolir a seco coisas pequenas, pois lá na frente elas tenderão a aumentar. Faça o que puder para ajudar as pessoas, mas lembre-se: os problemas dos outros, são dos outros“. Eu, Juliana Bettini

Ter mais confiança em si mesma, acreditar que o mundo não acaba quando erramos ou que não há a necessidade de decidir a vida num instante. Ouvir os conselhos de nossos pais, cobrar-se menos, arriscar mais e aprender com os erros, aprender sempre! São muitas as lições que a idade nos ensina. E, se você que está lendo esse texto ainda está longe dos “enta” , tire proveito! Afinal, pessoas inteligentes aprendem com os próprios erros e, as mais inteligentes, com os erros dos outros!

Agora, se você já “quarentou”, responda: O que diria à você mesma? Deixe seu comentário aqui ou na nossa fan page ! Estamos muito curiosas pra saber e aprender com você também!

Ps.: Ao contrário das mensagens, nem todos os nomes são reais!

                                                                        juliana assinatura Juliana Bettini

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Começando do Começo

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Você sabe dizer quando uma amizade começa?

Pouco importa. O importante, como já dizia Mário Quintana,

é que “a amizade é um amor que nunca morre”.

A nossa começou em 1993, quando juntas iniciamos o curso de jornalismo na Universidade do Sul de Santa Catarina, em Tubarão. Algumas já se conheciam desde a infância, umas por parentesco, outras pela vivência de familiares em comum.

Passados 22 anos desde o início dessa história, cada uma foi para um lado, fazer sua vida e, em tempos de Facebook e Whatsapp, a amizade retorna, como se ainda estivéssemos em sala de aula, com todo o frescor da nossa juventude e acima de qualquer TPM.

E o que seria de nós, amigas que moram em cidades distantes, se não fossem as redes sociais? Os anos passaram, cada uma leva sua vida, tem seu dia a dia, e isso não interfere em nossa relação. Ao contrário, descobrimos que temos muitas coisas em comum: somos esposas, mães, cozinheiras amadoras, profissionais do comércio, da informática, do jornalismo… Porém, a chegada dos 40 acabou nos aproximando ainda mais e, por intermédio das mídias sociais, passamos a dividir umas com as outras, expectativas, dilemas, sonhos, enfim… nossa vida de “lobas”.

Quatro amigas de longa data, Helck, Juliana, Maria José e Mônica que se reaproximaram.

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 Helck Souza
: A primeira criança a nascer no dia das mães de 1974, após a histórica enchente que devastou Tubarão. Mora há 17 anos em Curitiba, casada, mãe da Maria Thereza, da Gabriela e do Guilherme. É ligada ao mundo feito com as mãos e se arrisca em fazer arte. Gosta do cheiro de grama cortada, de temperos frescos, aromas e sabores. É viciada em livros e gosta de iniciar um texto com citações. Observadora, adora conversar com estranhos na fila do banco. Não abre mão de estar ao lado de bons amigos e, é claro, de uma boa conversa.

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 Juliana Bettini: A mãe da Malu. Nasceu em Tubarão, Santa Catarina no dia 15 de fevereiro de 1975 e, das quatro, é a que conhece todas as outras desde a infância. Também é a cigana do grupo, pois já morou em seis cidades de três Estados diferentes e, em breve, é provável que aconteça mais uma mudança. Talvez por isso, desenvolveu uma habilidade que considera importante, a facilidade de adaptação. É casada com o Nino e mora em Assis, São Paulo. 

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 Maria José Klein: Nascida em Tubarão, Santa Catarina, no dia 05 de maio de 1975 às 05:10 da manhã, é uma taurina que adora mudar as coisas de lugar, mas só as coisas de dentro de casa. Filha do José e da Ivonete, mãe do Lucas e casada com o Flávio, pessoas que ela ama incondicionalmente. Gosta de uma boa conversa, é sonhadora, cabeça dura, confiável e ainda acredita na palavra de cada um, não prometa nada pra ela, ela vai lembrar para o resto da vida, mas pode ser que ela esqueça que esteve em seu casamento (né Helck?).

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 Mônica de Souza Rodrigues: Completou 40 anos no dia 21 de junho de 2014. Filha da Claire e do Toninho, irmã da Lu e gêmea do Beto, esposa do Dodô e mãe do Gabriel, de 7 anos, e da Letícia, que chegou no dia 13 de abril, para deixar sua vida mais rosa! Uma mulher feliz e real, cheia de neuras, mas com muita fé em Deus. Canceriana, emotiva, que adora um bom papo, seja virtual ou pessoalmente.


Agora saímos do Whatsapp e fomos além, viramos blog para compartilhar sentimentos, experiências, dúvidas, descobertas… com o objetivo de encorajar, sensibilizar e motivar a todos que passarem por aqui.

Muito prazer, somos as Quarentando!