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Cartas entre amigas – 1: Nublou

Joinville, 03 de julho de 2016.

Hoje é um domingo nublado, assim como tem sido os últimos dias por aqui, com o sol bastante acanhado.

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E aí, me pego, talvez como a maioria das pessoas, pensando que chegamos ao meio do ano! Ainda não é Natal, mas e o que você fez, Juliana?

Essa pergunta anda me perseguindo…

No meu caso, mudei de cidade, de Assis (SP) para Joinville (SC), e isso fez mudar muitas coisas… Pois, por motivos de contenção financeira, a casa é menor e a mudança ainda não veio por completo. Ah! E nem virá, fui obrigada a me desfazer de alguns móveis por questão de espaço. Mas adianto que isso não me faz sofrer!

O que de verdade me deixa inconformada é a inércia. Algo que sempre me incomodou e que, as vezes, acho que é o meu carma. Uma vontade louca de fazer mil coisas e não saber por onde começar, uma sensação de estar atada!

Quando digo que acho que é meu carma, é por que, por inúmeras vezes comecei coisas e as abandonei. Algumas por desinteresse, outras pelas circunstâncias… e assim, como se fosse cíclico, volta a sensação de, apenas, ver o tempo passar, escorrendo pelos meus dedos e eu assistindo passivamente.

Há dias em que acordo no pique! Normalmente quando o sol dá o ar de sua graça. Quero limpar a casa, retomo a dieta, corro para ver vagas de trabalho (e a crise que passamos toma forma de carrasco para minhas expectativas) mesmo assim, passo o dia pensando em como posso dar A guinada…

Nos dias que sol some, o ânimo para a dieta encontra meu repertório de desculpas, a vontade de arrumar a casa esbarra no controle da TV, no livro que está à minha espera na cabeceira da cama…. e a Crise me mostra que vai ser mais difícil do que eu imaginava voltar ao mercado de trabalho.

É amigas, comecei esse texto pra falar das minhas resoluções de início de ano e me pego falando daquilo que por meses, vem apertando o meu coração!

Não sei quanto a vocês, mas nessa hora os 41 anos tem um peso grande! E não tem nada a ver com vaidade, pra mim é existencial…

Talvez hoje eu ande meio nublada…

Beijos ensolarados!

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Juliana Bettini

Botao

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Sem medo de mudar

Por Juliana Bettini

caminhão de mudanças

Pensando sobre as experiências acumuladas ao longo dos meus 40 anos acho que algo que posso me atrever a falar é sobre mudanças.

Contabilizando, até agora, cinco no currículo, aprendi na pele e, observando outras pessoas que passaram pela mesma situação que, independente de qual seja o novo lugar, a peça chave para a experiência ser positiva é: ADAPTAR-SE!

Não é o emprego, não é a cidade, o Estado ou o país ou qualquer outro fator externo… é a sua vontade ou habilidade para se adaptar ao novo!

Mudanças acontecem por vontade própria ou por necessidade. Seja qual for a situação é você quem vai conduzir o rumo das coisas.

Vou deixar bem claro que acidentes acontecem. Então tirando problemas de saúde e situações que fogem ao controle, você é o grande responsável para ser feliz ou não no lugar onde está!

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Quando fui morar em Curitiba, ouvi falar muito e até senti na pele, sobre a frieza do curitibano. Levando-se em consideração que é uma capital com mais de 2 mi de habitantes, é muito compreensível que as pessoas se tornem mais seletivas ou desconfiadas mesmo. E sim, é um povo mais reservado. Mas isso não me impediu de fazer amigos curitibanos e forasteiros como eu. Porém, conheci um casal que me chamou muita atenção. Eles eram de Marília, cidade natal do meu marido. Foram para Curitiba em busca de crescer profissionalmente e ali formar a família. Eles tinham muitos amigos para tão pouco tempo de cidade! Um dia, perguntei à Débora como eles fizeram pra conhecer tanta gente? E a resposta eu guardei como uma lição: “Quando chegamos além de procurar emprego, procuramos nos enturmar. Pra isso, entramos num coral.”

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Quando se sai do “ninho” para outras terras, é bom buscar pessoas com afinidades. Dessa forma podem nascer grandes amizades! E entrar em algum grupo como coral, igreja, voluntariado, enfim, qualquer tipo de coisa que reúnam pessoas com interesses em comum nos dá um tipo de passe livre para sermos acolhidos!

Esse exemplo também tive quando vim morar em Assis. Comentando com a mãe de um colega da minha filha e que, se tornou uma grande amiga. Disse a ela que me deixou muito feliz e surpresa o fato de ter me convidado pra sua casa sem me conhecer direito. E ela respondeu: “Ju, nossos filhos estudam juntos, isso já é suficiente”. Talvez suficiente numa cidade pequena. Mas não deixa de reforçar o fato de que interesses em comum aproximam as pessoas.

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Uma parte (a maior) do melhor que Assis me deu!

Também presenciei cenas de sofrimento com relação à mudanças.

Aqui mesmo em Assis, tive uma amiga que veio de São Paulo e não se adaptou de forma alguma! Acabou fazendo poucos laços, vivia na estrada indo e vindo de São Paulo e acabou voltando para a capital paulista.

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Nesse caso, um erro grave que eu vejo é a comparação. Comparar o que você tinha na outra cidade com a que você está, vai te impedir de saborear a novidade. Pois sempre haverá o mas. Imagine ela que comparava Assis a São Paulo????

Acredite. Não importa se a mudança é de uma capital para uma cidade do interior ou vice versa, de um lugar na serra para o litoral o da praia pro campo. A gente sempre consegue colocar um mas quando vai falar do novo lugar. Lembro de mim quando fui pra Curitiba: “Ah…Mas Jaraguá é bem mais limpa”!. E quando fui pra Floripa: “Ah… Mas em Curitiba as opções eram infinitamente melhores”.  Daí fui pra Criciúma: “Ah… Mas nada se compara a Floripa”!

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Florianópolis – incomparável!

Mesmo assim, vejo que consegui extrair o melhor de cada lugar que passei. E o melhor, evitei muito sofrimento desnecessário! Quando relutamos à mudança o sofrimento certamente vem. E como diz uma frase que eu gosto mas não sei quem é o autor: “A dor é inevitável, o sofrimento é uma escolha”.

A saudade da família é uma dor da qual se aprende a lidar. Isso é unanimidade entre todas as pessoas que conheço e que moram fora.

E tudo é uma questão de ponto de vista. O que pode parecer uma perda num primeiro momento é ganho se analisado sob outra ótica.

Para mim, adaptar-se não é aceitar tudo. É conseguir olhar o novo como uma possibilidade de se integrar ao meio, sem abrir mão de quem você é! E para isso há que se ser flexível. A mudança pode ser bem menos estressante se vista dessa forma!

Antes de virmos para Assis, nossa filha estava muito bem adaptada à escola em Criciúma (SC). Ficamos com receio da nova adaptação. Sentíamos por tirá-la de amizades que tinha tudo para ser pro resto da vida. Procuramos a psicologa da escola que nos disse: “Vocês podem ficar tranquilos quanto à isso, pois vocês estão dando à Maria Luísa a oportunidade de aprender a se adaptar desde cedo. A encarar o novo já nessa idade. Enquanto que alguns dos coleguinhas dela hoje, só terão que passar por isso quando chegarem à universidade, ela aprenderá isso na prática. Sem dúvida, um ganho considerável para o futuro dela”, concluiu a psicóloga.

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Uma parte das amigas de Assis.

De fato, foi mais tranquilo do que imaginávamos.

Por isso, se uma mudança acontecer na sua vida, por vontade própria ou não, encare de peito aberto! Não relute e nem gaste suas energias  com aquilo que não está ao seu alcance mudar.

Você vai ver que os bom amigos não se afastarão por conta da distância física e novos amigos virão para que a adaptação seja mais leve!

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Juliana Bettini

Botao

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Começando do Começo

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Você sabe dizer quando uma amizade começa?

Pouco importa. O importante, como já dizia Mário Quintana,

é que “a amizade é um amor que nunca morre”.

A nossa começou em 1993, quando juntas iniciamos o curso de jornalismo na Universidade do Sul de Santa Catarina, em Tubarão. Algumas já se conheciam desde a infância, umas por parentesco, outras pela vivência de familiares em comum.

Passados 22 anos desde o início dessa história, cada uma foi para um lado, fazer sua vida e, em tempos de Facebook e Whatsapp, a amizade retorna, como se ainda estivéssemos em sala de aula, com todo o frescor da nossa juventude e acima de qualquer TPM.

E o que seria de nós, amigas que moram em cidades distantes, se não fossem as redes sociais? Os anos passaram, cada uma leva sua vida, tem seu dia a dia, e isso não interfere em nossa relação. Ao contrário, descobrimos que temos muitas coisas em comum: somos esposas, mães, cozinheiras amadoras, profissionais do comércio, da informática, do jornalismo… Porém, a chegada dos 40 acabou nos aproximando ainda mais e, por intermédio das mídias sociais, passamos a dividir umas com as outras, expectativas, dilemas, sonhos, enfim… nossa vida de “lobas”.

Quatro amigas de longa data, Helck, Juliana, Maria José e Mônica que se reaproximaram.

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 Helck Souza
: A primeira criança a nascer no dia das mães de 1974, após a histórica enchente que devastou Tubarão. Mora há 17 anos em Curitiba, casada, mãe da Maria Thereza, da Gabriela e do Guilherme. É ligada ao mundo feito com as mãos e se arrisca em fazer arte. Gosta do cheiro de grama cortada, de temperos frescos, aromas e sabores. É viciada em livros e gosta de iniciar um texto com citações. Observadora, adora conversar com estranhos na fila do banco. Não abre mão de estar ao lado de bons amigos e, é claro, de uma boa conversa.

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 Juliana Bettini: A mãe da Malu. Nasceu em Tubarão, Santa Catarina no dia 15 de fevereiro de 1975 e, das quatro, é a que conhece todas as outras desde a infância. Também é a cigana do grupo, pois já morou em seis cidades de três Estados diferentes e, em breve, é provável que aconteça mais uma mudança. Talvez por isso, desenvolveu uma habilidade que considera importante, a facilidade de adaptação. É casada com o Nino e mora em Assis, São Paulo. 

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 Maria José Klein: Nascida em Tubarão, Santa Catarina, no dia 05 de maio de 1975 às 05:10 da manhã, é uma taurina que adora mudar as coisas de lugar, mas só as coisas de dentro de casa. Filha do José e da Ivonete, mãe do Lucas e casada com o Flávio, pessoas que ela ama incondicionalmente. Gosta de uma boa conversa, é sonhadora, cabeça dura, confiável e ainda acredita na palavra de cada um, não prometa nada pra ela, ela vai lembrar para o resto da vida, mas pode ser que ela esqueça que esteve em seu casamento (né Helck?).

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 Mônica de Souza Rodrigues: Completou 40 anos no dia 21 de junho de 2014. Filha da Claire e do Toninho, irmã da Lu e gêmea do Beto, esposa do Dodô e mãe do Gabriel, de 7 anos, e da Letícia, que chegou no dia 13 de abril, para deixar sua vida mais rosa! Uma mulher feliz e real, cheia de neuras, mas com muita fé em Deus. Canceriana, emotiva, que adora um bom papo, seja virtual ou pessoalmente.


Agora saímos do Whatsapp e fomos além, viramos blog para compartilhar sentimentos, experiências, dúvidas, descobertas… com o objetivo de encorajar, sensibilizar e motivar a todos que passarem por aqui.

Muito prazer, somos as Quarentando!