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Ninho vazio

Por: Helck Souza

Estava na fila do supermercado e a mulher na minha frente disparou a falar. Falava sobre o tempo chuvoso, sobre a cidade não ser mais o que era antes, sobre os preços absurdos dos alimentos… e foi enveredando um assunto atrás do outro, quase não conseguindo respirar entre eles. Um verdadeiro vômito de palavras.

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Tudo o que eu precisava naquele momento era de um pouco de silêncio, a mulher nem se deu conta disso e continuou. Eu fiz a minha melhor cara de paisagem, os meus ouvidos continuaram a ouvir, mas o meu cérebro não registrava mais o que ela falava. Quando se tem três filhos o cérebro fica esperto e consegue, de certa forma, desenvolver essa proteção. Não me pergunte como, simplesmente consigo abstrair e olhar a situação de forma diferente.

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Precisava de um tempo para organizar as minhas ideias, queria fazer uma faxina nos pensamentos… desisti, não era o momento. Então, segui com a minha cara de paisagem, já que a mulher despertou a minha curiosidade e continuei a observar. Ela deveria ter seus 45, 47 anos, bonita, muito bem vestida (na verdade, não olhei com detalhes a roupa, costumo olhar a bolsa e o sapato, com isso nós mulheres já temos uma ideia), e ela estava. O que não era o meu caso, já que usava um tênis e calça jeans surrada, manicure por fazer, cabelo amarrado num rabo de cavalo, protetor solar e labial e zero de maquiagem. Resumindo, estava no meu modo “mãe de três”, que utilizo semanalmente, salvo quando existe algum evento que precise de uma repaginada.

Bom, depois de analisar tudo isso, ela deu uma brecha, acho que para respirar melhor e eu pergunto: você tem filhos? Pergunta certeira: quatro filhos, dois já casados e os dois mais novos acabaram de se mudar da casa da família para o exterior. E ela mais uma vez desanda a falar… Estava triste por não ter mais os filhos em casa, não ter com quem conversar, a bagunça diária não existia mais… estava sofrendo o que, na psicologia, chamam de “síndrome do ninho vazio”.

Essa síndrome acontece quando os filhos saem de casa para construir vida própria e os pais (principalmente a mãe), não se sentem mais úteis ou importantes. O sofrimento daquela mulher, na fila do caixa do supermercado estava estampado na face. A solidão que ela sentia estava pairando no ar. A necessidade de atenção era evidente.

Claro, que a partir desse momento minha postura mudou. Perguntei o que estava fazendo para se ocupar agora sem os filhos por perto, ela disse que não havia pensado em nada e sugeri fazer algo que goste, aulas de algo que se identifique, como yoga, pilates, hidroginástica, artesanato, etc. Alguma coisa era preciso fazer. Nesse momento ela parou para pensar e concordou comigo, não poderia ficar em casa se lamentando, se sentindo assim. Precisava dar a volta por cima, reagir. Dava para perceber um certo brilho de ânimo em seu olhar. E assim, ela abriu a bolsa pegou o cartão e pagou a conta, colocou as sacolas de compra no carrinho e foi embora toda agradecida.

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Ponho, automaticamente, as minhas compras para pagar no balcão do caixa, e o silencio que eu queria tanto já não era mais necessário afinal, com três filhos adolescentes, inevitável não pensar que meu futuro poderia ser como o daquela mulher. Principalmente quando reclamo que ouço a palavra “mami” mais do que eu deveria ouvir. A necessidade da faxina e reorganização agora não era só mental, percebo uma certa urgência na mudança de postura. Quem deveria agradecer a conversa realmente era eu.

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Helck Souza

Botao

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Não te quero mais.

Por: Helck Souza

Vou abrir meu coração. Cansei. Não quero mais esse relacionamento. Não aguento mais você na minha vida. Para mim chega. O que eu recebo em troca tendo você comigo? Só prejuízo. Sim, tem a alegria momentânea, o desejo satisfeito, mas e depois? Depois resta somente o sentimento de culpa, a certeza de que fiz tudo errado… de novo.

A vida é muito curta e eu quero mais, quero algo mais intenso, mais duradouro. Quero viver melhor. Quero, a partir de agora, só aquilo que me faz bem. Quero qualidade,  você não possui nada disso e não estou sendo cruel, essa é a mais pura verdade.

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Se eu não der um basta agora, isso não vai mais parar. Você está me fazendo mal. Esse não é nem de longe o relacionamento que desejei para mim. Não é um relacionamento saudável de adultos que sabem o que estão fazendo, que sabem, querem e podem escolher o melhor.

Está decidido e não vou voltar atrás. Não vou fazer como das outras vezes quando eu dizia que era a última e você vinha de mansinho, devagarinho, me conquistando com seu frescor, me seduzindo… e eu, boba, inocente, carente, caía na sua lábia para o mais puro prazer… e depois, o sofrimento me corroía por dentro.

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Não vou mais me deleitar como antes. Chega dessa história maluca e impulsiva. Quero oficializar agora, para todos os que lêem aqui, que está tudo acabado entre nós. Você não entra mais na minha casa, não entra mais na minha vida, não tem mais lugar no meu coração.

E não venha querer me conquistar através das crianças. Elas também não irão mais te querer, é tudo uma questão de tempo. Mais dia, menos dia, elas irão cair na real e ver quem você é de verdade. Você só traz prejuízo para nós.

Não vamos mais nos enganar. A partir de hoje, não serei mais sua refém.

Refrigerante,

para o bem da minha vida, não te quero mais.

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Chega, fim.

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Helck Souza

Botao

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A busca incessante pelo corpo perfeito, ops! Desejado

Por: Mônica de Souza Rodrigues

Comer tapioca, batata doce assada, tomar shakes – seja herbalife, diet shake e/ou até os famosos Way, produtos sem lactose e sem glúten e entre outras receitas light. Esse tem sido o cardápio de muita gente que conheço e que não conheço também. Está todo mundo em busca do corpo “desejadamente” perfeito. Além disso, as academias estão cada vez mais lotadas!!! Isso sem entrar no assunto das cirurgias estéticas que também estão cada vez mais freqüentes.

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Ok! É bom mesmo, afinal comidas gordurosas, carboidratos, doçuras…apesar de deliciosas são “engordights” e não fazem muito bem pra saúde, podendo aumentar o colesterol, diabetes e etc.

Mas……será que essa busca desenfreada por emagrecer também é saudável?!? Trocar refeições importantes por shakes, fazer dietas malucas que prometem milagres!?!

Esses dias vi uma reportagem no programa Mais Você, do repórter Felipe Andreoli que falava mais ou menos sobre isso, e no final, ele entrevistou pessoas que estavam se deliciando com churros…hummmm…sendo que uma entrevistada respondeu que ela come mesmo, porque tem vontade e não sabe como vai ser o dia de amanhã!

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Ok! Nem tanto ao mar e nem tanto a terra. O Bom senso e o meio termo cabem muito bem nessa situação. Acredito que a gente tem e deve cuidar do corpo e consequentemente, da saúde, mas também podemos, às vezes, nos deliciar com uma bela pizza, uma macarronada, um churrasco com maionese, beber uma cerveja ou um vinho, comer chocolate, tomar sorvete…enfim, aproveitar a vida com as pessoas que nos cercam e proporcionar encontros familiares ou com amigos degustando um bom papo regado com muito amor.

Eu mesma, também vivo querendo emagrecer…. e antes de engravidar estava nessa busca: academia, dieta da proteina, tapioca…mas no fim de semana eu me permitia tomar um vinho ou uma cerveja com meu marido. Durante a gravidez também procurei me cuidar. E agora, assim que a médica me liberar, vou voltar a essa rotina (dieta da proteína, batata doce assada, academia e etc) afinal, preciso eliminar os quilinhos a mais que resolveram ficar comigo. Porém, sem deixar de lado os bons momentos ao lado de pessoas queridas.

A regra é clara: a melhor receita para se chegar a realização total, é o equilíbrio.

A busca pelo corpo perfeito passa pela cabeça, mente sã, corpo são!!!

mente

 

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Mônica de Souza Rodrigues

coracao