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A lição de Rafaela

Por Juliana Bettini

Hoje o nome de Rafaela Silva tornou-se popular, comum a todos os brasileiros que acompanham os Jogos Olímpicos Rio 2016. A conquista da medalha de ouro da judoca brasileira teve um sabor de alma lavada!

Nas Olimpíadas de 2012 Rafaela foi penalizada com a desclassificação por conta de um golpe irregular sobre a húngara, Hedvig Karakas. Muito pior do que a eliminação da competição, a atleta negra, nascida na favela, sentiu o peso da chibata moderna – a língua cruel de uma sociedade que está longe da perfeição mostrada nos seus perfis do facebook.

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A resposta veio em forma de ouro                                   foto: Márcio Rodrigues/Fotocom

O motor da inconformidade

Depois de Londres a militar, terceiro sargento da Marinha do Brasil, voltou às atividades, de cabeça erguida e quase anônima. Buscou o caminho mais longo e árduo, mais quatro anos de treinamento. E valeu à pena! Ela calou a todos que a insultaram. Todos e, principalmente, àqueles que escondem suas incapacidades atrás dos seus perfis felizes e perfeitos.

A vitória de Rafaela Silva é um sopro de esperança para essa geração “Neymar”, que tem mais marketing do que garra. Pois mostra de forma clara, didática, que a inconformidade com o “destino” pode mudar uma vida! Aprendamos com ela a não nos conformarmos com pouco, a nota mediana ou com alguém que nos diz que não temos capacidade, dignidade, competência, merecimento… ou seja lá o que for.

Sejamos rebeldes focados! Sem blá blá blá ou mimimi, troque o discurso pela ação!

Só quem pode impor limites a você é você mesmo!

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Juliana Bettini

Botao

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Cartas entre amigas – 1: Nublou

Joinville, 03 de julho de 2016.

Hoje é um domingo nublado, assim como tem sido os últimos dias por aqui, com o sol bastante acanhado.

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E aí, me pego, talvez como a maioria das pessoas, pensando que chegamos ao meio do ano! Ainda não é Natal, mas e o que você fez, Juliana?

Essa pergunta anda me perseguindo…

No meu caso, mudei de cidade, de Assis (SP) para Joinville (SC), e isso fez mudar muitas coisas… Pois, por motivos de contenção financeira, a casa é menor e a mudança ainda não veio por completo. Ah! E nem virá, fui obrigada a me desfazer de alguns móveis por questão de espaço. Mas adianto que isso não me faz sofrer!

O que de verdade me deixa inconformada é a inércia. Algo que sempre me incomodou e que, as vezes, acho que é o meu carma. Uma vontade louca de fazer mil coisas e não saber por onde começar, uma sensação de estar atada!

Quando digo que acho que é meu carma, é por que, por inúmeras vezes comecei coisas e as abandonei. Algumas por desinteresse, outras pelas circunstâncias… e assim, como se fosse cíclico, volta a sensação de, apenas, ver o tempo passar, escorrendo pelos meus dedos e eu assistindo passivamente.

Há dias em que acordo no pique! Normalmente quando o sol dá o ar de sua graça. Quero limpar a casa, retomo a dieta, corro para ver vagas de trabalho (e a crise que passamos toma forma de carrasco para minhas expectativas) mesmo assim, passo o dia pensando em como posso dar A guinada…

Nos dias que sol some, o ânimo para a dieta encontra meu repertório de desculpas, a vontade de arrumar a casa esbarra no controle da TV, no livro que está à minha espera na cabeceira da cama…. e a Crise me mostra que vai ser mais difícil do que eu imaginava voltar ao mercado de trabalho.

É amigas, comecei esse texto pra falar das minhas resoluções de início de ano e me pego falando daquilo que por meses, vem apertando o meu coração!

Não sei quanto a vocês, mas nessa hora os 41 anos tem um peso grande! E não tem nada a ver com vaidade, pra mim é existencial…

Talvez hoje eu ande meio nublada…

Beijos ensolarados!

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Juliana Bettini

Botao

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A transformação leva tempo

Por Juliana Bettini

A repercussão sobre a propaganda d’O Boticário, do dia dos namorados, gerou um grande alvoroço desde sua exibição. Foi um dos assuntos mais comentados da semana. Por isso, a minha intensão aqui é dar um olhar otimista a toda essa polêmica.

O que eu quero falar, aproveitando o gancho, foi no que tudo isso me fez pensar: Sobre transformação do pensamento/comportamento coletivo.

Sou de uma época (não tão distante) em que, ainda lembro bem, piadas racistas eram totalmente aceitáveis, e, inclusive, eram propagadas em programas de TV, como Os Trapalhões.

Aos poucos, passamos por uma transformação onde o que era aceitável nos anos  80, tornou-se inconcebível nos dias de hoje!

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Isso era um produto dos anos 70/80

Assim como o hábito de se fumar em lugares fechados, não usar cinto de segurança, jogar lixo pela janela do carro… cenas que hoje nos chocam, eram completamente corriqueiras.

O que penso disso tudo é que estamos vivendo uma fase de transição.

Tardia? Sim! Bastante!

Porém, como gosto de brincar, “antes tarde do que mais tarde”!

Sei que não vivo esse preconceito na pele e, por isso, ele pode me parecer mais ameno. Mas acredite, apesar de não parecer, diminuiu muito!

E o que me leva a ter esse olhar otimista?

A própria repercussão. Pois se por uma lado o comercial chocou parte da sociedade, que se diz insultada. Ele também fez outra parte, com poder de formar opiniões, a se posicionar a favor do respeito e da tolerância às diversidades.

Sim! É isso que precisamos: Respeito e tolerância.

Afinal, toleramos tantos absurdos muito piores! Não deveria ser tão difícil tolerar a opção sexual do outro, certo?

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Pensando bem, estamos no meio desse caminho. Já presenciamos outras mudanças no comportamento social. Hoje estamos vivendo o papel de educadores, enquanto pais. Está nas nossas mãos contribuir para a tolerância e o respeito para com às escolhas alheias.

Não vai ser amanhã. O caminho é longo, mas é possível. Façamos a nossa parte.

E pra encerar, uma frase que não é minha, mas que eu gosto muito:

Filhos melhores

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Juliana Bettini

Botao

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A minha gritante culpa

Por Juliana Bettini

O Quarentando é a minha sessão de terapia. Cada vez que procuro alguma coisa pra falar/escrever, de certa forma me desligo da Juliana mãe, empresária, dona de casa, esposa, amiga… viro apenas eu. O que Eu quero falar hoje?

Só a título de curiosidade, nós quatro definimos que a cada 2 dias uma de nós atualizará o blog. Por isso existe uma “fila”, para que não haja sobrecarga pra ninguém, pois a intenção aqui é termos um espaço de lazer (sim pra mim escrever é mais que diversão, é libertação!).

Então, voltando à minha busca pelo tema desta postagem, fui buscar inspiração nas redes sociais. Mas quando a vida da gente anda muito complicada, como no caso da minha, até esse marzão fica “sem peixe”.

Foi aí que li um texto que bateu no útero e causou efeito de tapa na cara: A Questão Relevante Sobre o Grito.

Eu poderia fazer o tipo mãe perfeita e reafirmar tudo o que esse texto fala me eximindo da culpa. Mas esse texto mexeu profundamente comigo. Porque eu me vi nele. Ao mesmo tempo em que eu o lia eu também chorava lembrando dos gritos que já dei com a Maria Luísa na hora que “a coisa aperta”. Lembrando e me culpando por todo descontrole da minha vida jogado sobre ela, justamente a pessoa mais importante no mundo pra mim!

É uma porrada que dói! Dói por que eu não vou conseguir voltar atrás e me envergonho muito de ter feito. O que está ao meu alcance é o dia de hoje. É não gritar com ela hoje. Não perder o controle hoje. E, assim como o texto fala sobre o grito, a autora mostra como foi que ela fez para mudar esse mau hábito.

Eu sou uma mãe amorosa e quem me conhece não tem dúvidas disso. Hoje vivo o dilema de dar amor e responsabilidades compatíveis com a idade. Pois acredito que quem ama educa! E dar responsabilidades faz parte da educação. Mas fazer minha filha ter medo de mim, nunca foi, em sã consciência, meu objetivo.

Também compartilho da ideia de que a maternidade não deve apagar meus sonhos, minhas vontades, minha individualidade… mas nada, absolutamente NADA me dá razão para gritar com ela. Nem mesmo minha “autoridade” de mãe.

Caso você também se identifique com essa situação, não deixe de ler, super recomendo! Ou, caso você superou ou ainda passa por esse problema, gostaria muito de ouvir sua história!

Até o próximo papo, se Deus quiser, com assuntos mais ligths!

Beijos,

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Juliana Bettini

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Não procure Deus no facebook

Por: Juliana Bettini

redessociaisSou uma fã das redes sociais. Faço uso de muitas e recorro a elas para interagir com amigos, me manter informada, pegar dicas de lugares, enfim, pra mim elas são tudo de bom!

Nós mesmas, as Quarentando, já comentamos que foram elas que nos reaproximaram e também nos mantém unidas!

Fã confessa que sou, há dias venho pensando em falar sobre algo que vejo e não concordo. Na verdade, uma das coisas das quais vejo e não concordo. Mas longe de mim querer ser uma “facechata”. É apenas algo que tenho vontade de falar pra ver se não estou só nesse pensamento: Deus tem facebook?

terço-destaqueAté onde sei, não né? E sua onipotência e onipresença, o liberam de qualquer sinal de wifi, 3G, 4G, fibra óptica ou qualquer outro meio que nós, reles mortais, necessitamos pra saber o que acontece na vida daqueles que não ligam de expô-la nas redes. Outra coisa que aprendi, há bastante tempo, que é um meio muito eficaz de entrar em conexão com o Senhor é a oração. Aquela que fazemos no íntimo do nosso quarto ou nos bancos das Igrejas, quando fechamos os olhos e abrimos o coração.

Esta não é uma conversa sobre religião. É um sim um papo sobre exposição. Aliás, na verdade, não tenho nada a ver com o tanto que cada um quer se expor nas mídias sociais. Mas usar “Deus” para gritar seus problemas ao mundo, pra mostrar como sua vida é difícil e como você sofre… sinto muito, mas não é o caminho para a “salvação”. No máximo será o caminho para aguçar a curiosidade alheia, para a especulação dos “incheridos”…

Para mim, soa, no mínimo, estranho. Porque o cidadão clama à Deus num texto que seria uma conversa “in box” com o Altíssimo, caso fosse possível, e faz metade de quem lê sentir-se intrometido se perguntar e, para os mais íntimos que perguntam, a resposta é: “te falo in box amiga”.

Sério! Ou melhor… sério????

Ok. Eu falei que não queria ser uma “facechata” mas é sempre bom lembrarmos que a rede é social. Se este chapéu estiver servindo a alguém nesse momento, não me leve à mal… leve como um conselho de uma amiga, um toque mesmo.

Pense nela como um lugar como uma grande festa. Na qual muitos, a maioria, você conhece de vista, alguns você tem grande intimidade e outros são pessoas queridas com as quais você pouco tem contato. Você chegaria gritando seus problemas? Duvido quem faz isso dentro da Igreja quando o padre, pastor, servo, ou sei lá o que, diz para pedirmos à Deus ouvir as nossas preces. Fazemos isso em pensamento!!! Então o que leva a pessoa a escrever em modo público suas aflições falando diretamente à Deus????

Mas problemas, quem de nós não os tem?

Pra encerrar, e pra não ser mal interpretada, eu acho que mostrar gratidão é outro departamento. Você pode estar num dia muito feliz por algo de bom que te aconteceu e aí agradecer à Deus publicamente é algo bem diferente de gritar seus problemas.

#soacho #ficaadica #beijomeliga

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Juliana Bettini

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